Morre Stan Lee, o capitão do navio Marvel

 

Stan Lee

Stan Lee, nascido Stanley Martin Lieber em dezembro de 1922, marcou como nenhum outro a Indústria Cultural do Entretenimento das Histórias em Quadrinhos por inúmeros motivos. Sua presença na editora, que passou por apertos nas décadas anteriores, quando a Marvel se chamava Timely Comics e depois Atlas Comics. Lá estava Stan Lee, aos 17 anos de idade, escrevendo roteiros para a revista do Capitão América em 1941, protegendo seu verdadeiro nome no intento de um dia seguir uma carreira mais séria e promissora de escritor. Depois disso, veio a Segunda Guerra Mundial e os planos foram levemente alterados, fazendo Stan Lee voltar para o solo estadunidense para voltar a trabalhar na editora, em 1945.

Arriscando um novo processo falimentar (e a demissão quase certa para o autor), a editora lhe permitiu mudanças criativas para concorrer contra a DC Comics, então chamada National Periodical Publications. Seguindo os conselhos de sua esposa, Joan Lee, inseriu as influências da literatura de língua inglesa para criar dramas e novelas com personagens mais próximos da humanidade do que as divindades infantilizadas da editora rival. Se Stan Lee não foi um romancista de mão cheia, ao menos conseguiu migrar as estruturas da literatura que desfrutava para as narrativas das histórias em quadrinhos. Temos O Médico e o Monstro (1885), do escocês Robert Louis Stevenson, e Frankenstein (1818), da britânica Mary Shelley, no drama do HULK.

Mas para salvar a editora, a sua cartada de sucesso foi Quarteto Fantástico, se valendo de todo o imaginário da Corrida Espacial e a valorização positiva da relação familiar dos Anos Dourados. Na esteira desse sucesso, Lee acrescentou outras ideias, sempre dialogando com a literatura e com a realidade social. Logo passou a ser coordenador e editor da Marvel, assumindo editoriais e as sessões de cartas, marcando sua escrita com o epíteto “Excelsior”. Durante a década de 1960, derramou no mercado de quadrinhos uma miríade de seres, atrelados a um universo com a narrativa linear e contínua, como seriam as novelas escritas em jornais e outros tipos periódicos. Seu universo não era mais apenas um domínio do empreendimento, mas uma nascente mitológica.

Stan Lee como você nunca viu (espero).

Controverso, difícil é não aceitar sua presença no mercado de quadrinhos como de grande importância. Stan Lee conquistou boa parte deste sucesso através de parceria que não foram igualmente registrados na história e na memória, como Steve Ditko (criando o Homem-Aranha) e Jack kirby (que criou diversos personagens). Por muitos anos, as relações destes dois artistas com Lee ficaram maculadas por ressentimentos envolvendo as criações mais famosas, como Thor, X-men e os Vingadores. O marketing pessoal de Stan Lee não deixou holofotes para seus antigos companheiros. O pesquisador e jornalista Roberto Guedes escreveu o livro Jack Kirby: O Criador de Deuses (editora Noir, 2017), ajuda a retratar injusta relação. Agora, no fim de sua vida, recebeu acusações de assediar enfermeiras e uma massagista, que negou sempre.

A Mulher Maravilha de Stan Lee (e Jim Lee, na arte interna, e Adam Hughes na arte acima).

Muita gente só conheceu a figura Stan Lee através das constantes aparições do mesmo nos filmes dos super-heróis da Marvel. Mas ele não invadiu a ficção apenas nas suas curiosas participações nos filmes da franquia na tela grande. Stan Lee se encontrou com os personagens que criou ou ajudou a criar na série Stan Lee meets, como na edição Stan Lee Meets Dr. Doom, Stan Lee Meets Spider-man, Stan Lee Meets Dr. Strange, Stan Lee Meets The Thing e Stan Lee Meets Silver Surfer, todas de 2006 (aqui no Brasil saíram na revista Marvel Apresenta número 31, de agosto de 2007, pela editora Panini).

Esse senhor não se limitou a provocar sua própria imagem no mercado da editora que fez parte. Ele também foi na rival, DC Comics, participar de repaginações dos personagens mais emblemáticos, como fazer uma versão do Batman como um homem negro, ex-detento e pugilista, uma Mulher-Maravilha Inca, dentre outros super-heróis da DC reimaginados, tudo isso na série Just Imagine Stan Lee´s (aqui ficou Imagine – nome do personagem – de Stan Lee, lançados pela editora abril em 2001).

Ele soube vender, principalmente soube vender a si mesmo. O empresário morreu hoje, dia 12 de novembro de 2018,  e deixou um legado inquestionável, marcando sua vida e sua presença no mercado de histórias em quadrinhos. tornou-se uma figura pop, aparecendo em séries de TV, como The Big Bang Theory e até em episódio dos Simpsons (episódio 18 da décima terceira temporada). Teve até um reality Show, Who Wants to Be a Superhero?, onde os participantes disputavam tarefas como super-heróis.

 

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